Já comprei discos pela capa,
já ouvi músicas porque meu irmão ouvia.
Ouvi discos por causa do nome,
fiz amigos por causa de sua coleção sonora.
Aprendi a ficar bêbado e manter o discurso,
praticando na dialética sobre grandes bandas gravadas em 4 canais,
em rodas de discussões esfumaçeadas contando com a participação de
grandes almas as quais não vejo mais.
Ganhei café do dono do sebo onde já passei horas
negociando discos de sertanejo por achados que nem sabia que
havia em suas prateleiras. Mas lembro que o vinil do michael jackson fez
aquele velho triste com a vida, ter mais um brilho nos olhos.
Descobri bandas que ninguém conhecia.
Gravei fitas e cds para pessoas que mereciam.
De bandas que desconheciam
Dançei em cima da mesa, da comoda e até debaixo da pia
Cantei no elevador, na escada, na fila do banco.
Ouvi a mesma música o dia inteiro
Na agulha, na fita e no virtual.
Conheci pessoas através do som.
Por meio de.
Ainda repito músicas.
Conheço outras.
E recebo também
de quem
leu
até o fim.
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